segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Dedicatória a William Golding


É mais difícil para mim ouvir os outros do que dizer que não me apetece ouvir-me. Não que sinta ter uma consciência menos obtusa que a dos restantes seres humanos, ou que tenha a certeza de não reencarnar num qualquer insecto (encarnação vulgarmente conhecida para quem não soube lidar com os seus pares com a delicadeza que as leis cósmicas exigem!)... Vale-me a certeza de que não serei colocada no recto de algum género monástico para me considerar uma tipa com sorte, mas valha-me Santo Eufrásio se alguma destas reflexões me enobrece as apoquentações!
Enquanto carrego a preocupação de ter um nó aqui dentro (não sei especificar onde!) que acabará por dar origem a uma porra qualquer entre a laringe e o útero, falta-me o sono! Pois que com pensamentos destes não é coisa de admirar. E esta porra toda porquê? Porque já me bastou ter que usar franja de galo quando a minha rica mãezinha não sabia que o catano dos caracóis não se escovam, ou demorar uma década a conseguir usar as pernas de um corpo que, sistematicamente, crescia mais do que era esperado... Mas não! Chegada aos 32 ainda tenho que ter rebates de consciência malévolos que me empurram contra uma parede de betão. Atrás de mim os valores de terceiros que não compreendo, à minha frente a certeza de que, para permanecer com a alma inteira, terei que refazer a espinha dorsal do que é, presentemente, a minha ética pessoal! Ora foda-se, dizeis vós! Que brilhante conclusão! Como se todos os outros tristes mortais não passassem pelo mesmo!
Vamos ver se nos entendemos!!! Passam todos o mesmo, coisa nenhuma!
Conheço vários espécimes que me convencem de que os convênios celestiais dividiram a espécie humana consoante a programação da manhã, da tarde e da noite! Como é óbvio, há os competentes aborrecidos que apresentam a "Praça da Alegria", que estarão a ser chacoteados por algum tenebroso buda dos demónios, que achou ser pouco reencarnar como besouro carregador de bosta; os que vão ao dito programa, os que a ele assistem e os que não têm outro remédio! Claro que, até chegarmos à Fátima Campos Ferreira ainda a procissão vai no adro... e diga-se que, acompanhando a tendência "porteguesinha" estou em crer que no andar de cima também se andam a fazer uma quantas privatizações!
Se estou com medo?! Ai pois claro que estou! Não tanto pelo acervo de brilhantes disparates que tenho feito na minha presente vida mas também porque não sei se a falta de imaginação dos que gostavam de ter perpetrado os mesmos crimes "contra a moral e bons costumes" que eu, não acabará por reverter contra a minha pessoa... ou a minha próxima pessoa, digamos assim.
No fundo sou boa cachopa... mas toda a cachopa tem os seus estorvos! Esses estorvos são, muitas vezes as doridas, incapacitantes e nauseabundas emoções. E damos trinta voltas aos assuntos pensando o que faremos, o que faríamos e o que deveríamos fazer, para quê?! Arre catano: para fazer o mesmo que as outras pessoas que não pensam em coisa nenhuma! Ora dito isto não me parece justo... e que não me venha Nosso Senhor com merdas: "Ai e tal... como fizeste mais reflexões virás como um insecto, mas um dos grandes!" Está bem de ver que se acordo com um corpo comprido e viscoso e com um cento de pernas arranjo maneira de antecipar o Armagedon!!!
Escusas! Já sabes que vou rezar um terço antes de dormir, pela minha alma e por mais umas tantas que considero, mas não me lixes!
Fica o aviso à tripulação que se é para me ferrar com os queixumes costumeiros às dores de um "então não é que somos todos tão bons no fundo!", só aceito voltar como bicho da madeira de um crucifixo milenar numa dessas igrejas de grande importância religiosa!

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