Mitra de poliéster, manto de farrapos...
Mente de multidões que nos encadeiam antigas percepções.
Assim são feitos os paradigmas ilusórios dos desejos transitórios que nos emudecem as palavras.
E se fossem estas de presentes lavras ficaríamos apaziguados com os dramas aziagos, suspirando por futuros desgraçados que encontrariam confortos escondidos neles abraçados.
Altar de pinho verde que de belo mantém o aroma que se quer convicto à conta de um forçado glaucoma que impossibilita a retirada da névoa...
Esse humedecido vestido de contas e miçangas, essas jóias preciosas que se vendem com verbos e outras tangas.
Fosse o transeunte distraído e teria visto que o incidente da má sorte não era mais que um desvio sadio, permissivo para com o defunto...
Haja tema, haja assunto!
terça-feira, 9 de abril de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
A fidelidade dos indigentes
Se a função espiritual da existência da infidelidade fosse medir a capacidade de retidão, seria levada a concluir que os castramentos emocionais são, consideravelmente menos violentos quando comparados com a falta de necessidades dos que não são tentados.
Nestes moldes, analisando o paradigma do pecado, ou da condenação, não podemos colocar em pé de igualdade quem é/foi tentado e os que, por incapacidade emocional, discursam de modo bíblico a respeito da nefanda epopeia dos traidores.
Ou seja, se convencionarmos que o puro é o que luta contra as investidas do desejo, exprimindo assim a veracidade de uma vontade de crer na eternização do amor, passaremos a adjectivar como vazio o ser impenetrável o que nunca se sente tentado.O não tentado, pode ser o que não tem capacidade de reagir a estímulos novos, "deficiência" que podemos vincular a uma certa habituação ao "amor" pelo outro e nunca à vivencia da essência do verbo.
No entanto, admitir que há tentação e que preferimos a não cedência deixa-nos com outro problema. Se sou tentado estarei na obrigação de respeitar o vínculo associado a um compromisso ou, pelo contrário, terei que sobrepor a vontade do eu aos receios que me são externos? Deverei preterir a minha mágoa com o medo da dor do outro?
Não há como concluir se o mal radica na compartimentação do desejo, o que pode pressupor um desrespeito pela nossa liberdade individual ou se o que está errado é o conceito de retidão moral. Isto porque, o desejo em si é condenado antes de qualquer concretização.
O que me leva a esta reflexão é o preto e o branco com que tanta gente avalia as relações que lhes são alheias. Mais do que isso, aterroriza-me o facilitismo da condenação como se houvesse alguém que ainda acredite que pode algo contra si próprio, estando certos do seu futuro romântico .. Vende-se a moral em pequenos pacotes cujo rótulo deveria dizer "contra testes em mim próprio"
Somente o ser confrontado com estas dicotomias pode dizer que respeita a assunção da dificuldade de discernir sensações e as suas repercussões.
Quem ama conhece a inevitabilidade do questionamento, a obrigatoriedade de adaptação... Só questionando se pode optar. Mais: só tendo escolha se pode optar!
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
As bonitezas alheias que se adotam adaptadas
A mamã sempre foi forte; hoje sei que quem é forte leva no cepo com os valores por outros instituídos, prescritos como benesses sociais. A mamã era boa cachopa: trabalhadeira como as modernas, herege como as modernas, fodida como as antigas (palavras sábias da vovó inconformada por ver a neta sem mãe). Levaram-na de robe, num domingo de manhã. Sete age
ntes armados de arrogância e cágados que, por detrás de tanto autoritarismo escondiam a incapacidade de assumir o medo de se conhecerem como um nada; um nada tão nulo para eles como perigoso para quem os enfrentasse! Assim os vi invadindo a casa, de mandato na mão, arautos da justiça e bem viver! A mamã, reencarnação de uma guerrilheira qualquer, grita a plenos pulmões : "Ninguém revista divisão nenhuma sem a minha presença!" Os bófias bufafam... Os bufos bufavam... Eu, enjeitada adolescente, gorda como pipa de vinho, lá me atrapalhei: "Mamã que te levam...", lágrimas nos olhos e resposta esbofeteada nas ventas. "Deixa levar. Precisas de mim para quê? Já não cresceste?"
Quis-lhe dizer que não. Que era pequenina e lhe necessitava do colo. Que ela não podia ir para a prisão apenas porque alguém não a queria na rua!
A busca desavergonhada foi feita com leitura do meu diário... Aqueles, aqueles... aqueles senhores, protetores da lei e da ordem, riam do meu drama, das minhas dores de crescimento, dos meus amores escondidos.
Levaram a mamã e, o meu irmão, outro enjeitado com forma de aranhiço, agarrado às minhas pernas, de cabecita enconstada á minha anca roliça, perguntando se fariam mal à progenitora.
Que não, respondia eu, com as lagrimas cravadas na garganta, entendendo a sede de matar pela primeira vez na vida, entendendo a necessidade de vingar a confusão do meu pequeno amor encostado à minha anca roliça... Cabrões, cabrões, cabrões. Insultos calados que o pequeno precisava de ser vestido e o pai, o meu Romeu por Freud enviado, foi atrás do carro patrulha, observando as algemas, respirando em golfadas curtas com o pavor do sofrimento da sua Julieta!
O tempo passando, os advogados passando, o processo passando. O meu 18º aniversário. Amigos em casa e o telefone tocando. Sentada ouvi a festa longe e a mamã pertinho de mim, do outro lado cantando "Parabéns a voce, nesta data querida..." E eu soluçando, gemendo baixinho aceitando a morte mais facilmente que este roubo conspurcado, este nojo de se viver num estado que leva o coração às gentes.
Eles estarão sempre do lado de lá mas nós, a família louca, desavinda que se deseja como quem respira, do lado de cá... dentro!
Quis-lhe dizer que não. Que era pequenina e lhe necessitava do colo. Que ela não podia ir para a prisão apenas porque alguém não a queria na rua!
A busca desavergonhada foi feita com leitura do meu diário... Aqueles, aqueles... aqueles senhores, protetores da lei e da ordem, riam do meu drama, das minhas dores de crescimento, dos meus amores escondidos.
Levaram a mamã e, o meu irmão, outro enjeitado com forma de aranhiço, agarrado às minhas pernas, de cabecita enconstada á minha anca roliça, perguntando se fariam mal à progenitora.
Que não, respondia eu, com as lagrimas cravadas na garganta, entendendo a sede de matar pela primeira vez na vida, entendendo a necessidade de vingar a confusão do meu pequeno amor encostado à minha anca roliça... Cabrões, cabrões, cabrões. Insultos calados que o pequeno precisava de ser vestido e o pai, o meu Romeu por Freud enviado, foi atrás do carro patrulha, observando as algemas, respirando em golfadas curtas com o pavor do sofrimento da sua Julieta!
O tempo passando, os advogados passando, o processo passando. O meu 18º aniversário. Amigos em casa e o telefone tocando. Sentada ouvi a festa longe e a mamã pertinho de mim, do outro lado cantando "Parabéns a voce, nesta data querida..." E eu soluçando, gemendo baixinho aceitando a morte mais facilmente que este roubo conspurcado, este nojo de se viver num estado que leva o coração às gentes.
Eles estarão sempre do lado de lá mas nós, a família louca, desavinda que se deseja como quem respira, do lado de cá... dentro!
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Dedicatória a William Golding
É mais difícil para mim ouvir os outros do que dizer que não me apetece ouvir-me. Não que sinta ter uma consciência menos obtusa que a dos restantes seres humanos, ou que tenha a certeza de não reencarnar num qualquer insecto (encarnação vulgarmente conhecida para quem não soube lidar com os seus pares com a delicadeza que as leis cósmicas exigem!)... Vale-me a certeza de que não serei colocada no recto de algum género monástico para me considerar uma tipa com sorte, mas valha-me Santo Eufrásio se alguma destas reflexões me enobrece as apoquentações!
Enquanto carrego a preocupação de ter um nó aqui dentro (não sei especificar onde!) que acabará por dar origem a uma porra qualquer entre a laringe e o útero, falta-me o sono! Pois que com pensamentos destes não é coisa de admirar. E esta porra toda porquê? Porque já me bastou ter que usar franja de galo quando a minha rica mãezinha não sabia que o catano dos caracóis não se escovam, ou demorar uma década a conseguir usar as pernas de um corpo que, sistematicamente, crescia mais do que era esperado... Mas não! Chegada aos 32 ainda tenho que ter rebates de consciência malévolos que me empurram contra uma parede de betão. Atrás de mim os valores de terceiros que não compreendo, à minha frente a certeza de que, para permanecer com a alma inteira, terei que refazer a espinha dorsal do que é, presentemente, a minha ética pessoal! Ora foda-se, dizeis vós! Que brilhante conclusão! Como se todos os outros tristes mortais não passassem pelo mesmo!
Vamos ver se nos entendemos!!! Passam todos o mesmo, coisa nenhuma!
Conheço vários espécimes que me convencem de que os convênios celestiais dividiram a espécie humana consoante a programação da manhã, da tarde e da noite! Como é óbvio, há os competentes aborrecidos que apresentam a "Praça da Alegria", que estarão a ser chacoteados por algum tenebroso buda dos demónios, que achou ser pouco reencarnar como besouro carregador de bosta; os que vão ao dito programa, os que a ele assistem e os que não têm outro remédio! Claro que, até chegarmos à Fátima Campos Ferreira ainda a procissão vai no adro... e diga-se que, acompanhando a tendência "porteguesinha" estou em crer que no andar de cima também se andam a fazer uma quantas privatizações!
Se estou com medo?! Ai pois claro que estou! Não tanto pelo acervo de brilhantes disparates que tenho feito na minha presente vida mas também porque não sei se a falta de imaginação dos que gostavam de ter perpetrado os mesmos crimes "contra a moral e bons costumes" que eu, não acabará por reverter contra a minha pessoa... ou a minha próxima pessoa, digamos assim.
No fundo sou boa cachopa... mas toda a cachopa tem os seus estorvos! Esses estorvos são, muitas vezes as doridas, incapacitantes e nauseabundas emoções. E damos trinta voltas aos assuntos pensando o que faremos, o que faríamos e o que deveríamos fazer, para quê?! Arre catano: para fazer o mesmo que as outras pessoas que não pensam em coisa nenhuma! Ora dito isto não me parece justo... e que não me venha Nosso Senhor com merdas: "Ai e tal... como fizeste mais reflexões virás como um insecto, mas um dos grandes!" Está bem de ver que se acordo com um corpo comprido e viscoso e com um cento de pernas arranjo maneira de antecipar o Armagedon!!!
Escusas! Já sabes que vou rezar um terço antes de dormir, pela minha alma e por mais umas tantas que considero, mas não me lixes!
Fica o aviso à tripulação que se é para me ferrar com os queixumes costumeiros às dores de um "então não é que somos todos tão bons no fundo!", só aceito voltar como bicho da madeira de um crucifixo milenar numa dessas igrejas de grande importância religiosa!
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
O sol de cada dia
Serve esta cronica para retratar um certo elemento que existe frequentemente em grupos pseudo, interessados em assuntos básicos mascarados de intelectualmente superlativos.
A Espertalhuça é aquela amigalhaça que cultiva a publicitação da unha de gel e da depilação definitiva. Bem disposta, sempre pronta para dar a sua opinião seja sobra a temática do corpo menos firme do tremoço do café in da Caparica ou sobre os tipos degenerativos da feminilidade atual.
Ora acontece que a Espertalhuça é, geralmente, desenxabida e com curvas apenas nos tornozelos, pouco apetecível a não ser depois de uns quantos gins ou do seu enriquecimento através de obras literárias que nos fazem acreditar no criacionismo das letras.
A Espertalhuça é porreira, está sempre nas festas cuja cobertura é feita pelas revistas cor de rosa e é uma espécie de mascote das tias que gostam de combinar a capa de um livro com as suas malas Cavalli.
À partida não tenho nada contra as Espertalhuças mas irrita-me que gozem de um estatuto especial na sociedade. Às Espertalhuças tudo é permitido, desde acusar verdadeiros talentos de se terem recusado a editar as suas histórias por não quererem "subir deitadas", até fragmentarem o género feminino numa espécie de hierarquia em que em vez de se defender a liberdade de conceitos se aprimora o machizante preconceito.
Agora vamos lá ver o que acontece quando uma miúda que usa sapatilhas, lenços na cabeça e não anda a contribuir para os diabetes intelectuais, faz qualquer uma destas coisas!
É que falar de assuntos com interesse dá trabalho (e não faz com que nos paguem para escrever cronicas!) e surge logo uma moralista defensora da liberdade de expressão para lhe dizer que é uma pseudo intelectual, uma chata e uma invejosa!
Ser interessante dá trabalho e que o digam algumas das minhas amigas mais inteligentes que foram vendo a sua reputação sistematicamente denegrida por homens que não as levaram para a cama porque elas tinham mais o que fazer e por aqueles com que se deitaram por ser suposto elas terem mais o que fazer! Sem falar das mulheres que vão alardeando os seus casos e acessos de excessividade argumentativa por nunca saberem do que as ditas estão a falar...
Porquê? Porque não é suposto uma mulher pensar!
E quanto às Espertalhuças o melhor seria arranjaram uma artrite reumatóide que as impossibilitasse de passar para o papel alguns disparates ou então uma limpeza cerebral. Ou ambas!
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Mais desgosto menos desgosto
Barbaridade era chegar ao colégio e ver-me rodeada de crianças com competências sociais que eu não só não adquirira como nem suspeitava serem necessárias para a minha sobrevivência.
Viver no meio das vinhas, andar de pés descalços em cima da caruma, sentar-me nas figueiras quando o estômago pedia alimento e contar histórias para companhias fantasmagóricas era o que aprendera a fazer no começo da minha carreira social!
A Béba, velha vestida de preto, como todas as velhas que me agarravam na mão e me sentavam nos banquinhos de madeira para cortarmos as couves para os pitos, cantava-me umas músicas. "Há que distrair a menina..." A mim tanto me dava; cantasse ela ou não, eu nunca deixara que se me entalassem notas na garganta. Mas pronto, a bem dizer, se não fosse ela não me passaria pela bendita alma falar de gatos espancados por paus ou dizer-me a caminho de Viseu! A Béba lá se esmifrava; voz de cana rachada, peito inflado e orgulhoso. que sabia o publico pouco exigente podendo, desta forma, dar-se ares de artista à muito perdidos nas fissuras dos seus rijos calcanhares.
Tudo muito bonito; mais bonito do que o entretém da Sra. Adelaide. Outra velha vestida de preto, de cajado na mão que a permanência das pernas nos arrozaias as fizeram tortas, que calhara parir o meu pai e, a gosto de salvar a neta, me punha nas ombreiras das portas a rezar terços... Muitas rezas levo eu de adiantado à salvação do prurido alheio.
Cada uma fazia o que melhor sabia à força de "entreter a menina"!
E a menina entretida andava. Nem mossa me fazia a proibição da mamã de me dar com os "fedelhos mal criados" que cirandavam pela aldeia. Queria eu lá saber daquelas caras feias com ranho a fugir-lhes do nariz. Ainda para mais irritava-me andar em bando! Muito melhor era esconder os sapatinhos no nicho de uma árvore e pedir-lhe que não contasse à Marquesa (minha mãe), que não fazia uso deles. Melhor era deitar-me no meio das folhas e ver as minhocas gordas a contorcerem-se evitando esbarrar no meu corpo. Melhor era olhar para as traves envelhecidas e cobertas de caruncho cantando para as aranhas que, de patas finas, iam bailando ao som da minha voz. A menina andava mais que entretida!
Pelo menos até dar um ataque de bem educar aos adultos e me espetarem o costado numa escolinha carregada de fedelhos que queriam, à força, substituir os amigos que eu já tinha!
Foi o belo, que a doce menina quando se viu acanhada no meio das gentes pôs-se nos cantos que foi uma beleza.
Numa mesma sala, todos nós, os meninos, fazendo roda, a freira no meio, e solta-se a frase "Vamos cantar uma musiquinha?!"
Todos com os bracitos no ar e eu de mãozinhas tombadas sem saber porquê tanto histerismo e, acima de tudo, para quê tanto barulho. Era um mundo de gente cheia de ruido!
Começam a cantar e eu começo a identificar... as músicas da Béba! As minhas músicas! Ela havia feito aquilo para mim! Ninguém me pedira autorização para cantar aquilo! Danada pus-me aos gritos e tentei explicar e foi ai que apanhei o meu primeiro desgosto; antes de me explicar a confusão que eu havia feito, a esposa de Nosso Senhor (abençoada a violencia doméstica, que tanto gosto me dava que baixasses a Tua santíssima mão naquelas bochechas rosadas!), riu-se. Riu-se a grande ordinarona! Há alguém que lendo isto não esteja indignado?! Riu-se a grande cabra!
Foi justiça divina, na minha humilde opinião. Mandei os sapatos para o raio que os partissem e espetei com uma série de pontapés nas canelas das freiras enquanto puxei os cabelos a todos os colegas a quem consegui deitar a mão. Qual SPA, qual o camandro! Defesa de direitos de autor sempre foi o meu forte!
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Há invejas piores
As pessoas não pensam, não reflectem sobre o que significa conhecer pessoas novas. Esquecem que ao travar conhecimento com uns e outros lhes é imposta uma mudança radical na forma como poderiam ver essas personagens que, passando ao nosso lado como desconhecidas, não teriam direitos sobre a nossa vida, sobre o nosso tempo, sobre a nossa maneira de estar e de ser. Conhecer alguém, manter o que se chama uma relação, seja ela romântica ou de amizade idealista é uma camisa de forças para a nossa individualidade e muitos só se mantêm presos porque a sociedade impõem que, para nos tornarmos completos, nos devemos partilhar. Para mal dos meus pecados sou das que gosta de se sentir limitada na forma como vou gerindo o dia a dia, sabendo que tenho que lidar com gentes que estão fora de mim e, apesar do contra-senso lá vou andando... Mas o carro de bois tem dias em que empanca e dou por mim a retirar peças, a desmantelar até os ditos bovinos, esperando encontrar a falha que, não sendo mecânica, me deixa de cara à banda sem saber o que faça ou o que diga. Há pouco tempo disseram-me que posso querer ser especialista em verbalizar o sentir mas nunca única nesse pensar que sinto; para além de me ter encontrado defraudada na minha pretensa originalidade como ser humano ainda levei as mãos à cabeça pensando como não estava rodeada de suicidas, isto presumindo que o que me foi dito é facto consumado e não um tremendo disparate!
A saber; recordo que na minha adolescência escolhia, quase todos os dias, diga-se, qual o tipo de pessoa que desejava ser. Isto é, pensava em quais deveriam ser os meus comportamentos, a minha forma de me visualizar, os valores que gostava de rever em mim. Queria ter orgulho o que me punha o cérebro num só nó pois que ser orgulhosa mandava, muitas das vezes, esta necessidade de me sentir com orgulho por quem era/seria, para o espaço. Uns dias era uma santa, calma, falando pausadamente, reflexiva, com hábitos de leitura insuspeitos que lutaria pelo missionato e por um preenchimento intrinsecamente espiritual. Noutros queria ser uma jovem revolucionária, extrovertida, comungar amores com parcerias inteligentes e ininteligíveis (veja-se!) fumar cigarros sem filtro e beber uns copos enquanto poetesiava os sentidos. A mais das vezes gostava de ser uma incompreendida de palavra inoportuna, mal comportada e de tpm permanente. Mais espantada fiquei quando o sexo entrou na equação e compreendi que as variantes que possibilitava na minha forma de sentir eram, não só incontáveis, como inexpressáveis.
A ser verdade que todos temos esta amiga esquizofrénica dentro de nós, faz pouco sentido que contactemos uns com os outros da forma permanente e, arrisco, obsessiva, como fazemos.
Já não basta ter que ser quanto mais ter que dar, ter que doar e ter que ser coerente! Fundamentalmente é esta exigência de coerência que me põem de cabelos em pé! Diz-se ser a individualidade de cada um a coisa mais preciosa que há no nosso universo de seres humanos e aprecia-se tão pouco essa caracteristica Invejo, desde muito jovem, a capacidade que alguns têm de passar por esta fase de carne, incógnitos, invisíveis, sem necessidade de travar conhecimentos; sem a necessidade de serem travados! Sem camisas de forças!
A saber; recordo que na minha adolescência escolhia, quase todos os dias, diga-se, qual o tipo de pessoa que desejava ser. Isto é, pensava em quais deveriam ser os meus comportamentos, a minha forma de me visualizar, os valores que gostava de rever em mim. Queria ter orgulho o que me punha o cérebro num só nó pois que ser orgulhosa mandava, muitas das vezes, esta necessidade de me sentir com orgulho por quem era/seria, para o espaço. Uns dias era uma santa, calma, falando pausadamente, reflexiva, com hábitos de leitura insuspeitos que lutaria pelo missionato e por um preenchimento intrinsecamente espiritual. Noutros queria ser uma jovem revolucionária, extrovertida, comungar amores com parcerias inteligentes e ininteligíveis (veja-se!) fumar cigarros sem filtro e beber uns copos enquanto poetesiava os sentidos. A mais das vezes gostava de ser uma incompreendida de palavra inoportuna, mal comportada e de tpm permanente. Mais espantada fiquei quando o sexo entrou na equação e compreendi que as variantes que possibilitava na minha forma de sentir eram, não só incontáveis, como inexpressáveis.
A ser verdade que todos temos esta amiga esquizofrénica dentro de nós, faz pouco sentido que contactemos uns com os outros da forma permanente e, arrisco, obsessiva, como fazemos.
Já não basta ter que ser quanto mais ter que dar, ter que doar e ter que ser coerente! Fundamentalmente é esta exigência de coerência que me põem de cabelos em pé! Diz-se ser a individualidade de cada um a coisa mais preciosa que há no nosso universo de seres humanos e aprecia-se tão pouco essa caracteristica Invejo, desde muito jovem, a capacidade que alguns têm de passar por esta fase de carne, incógnitos, invisíveis, sem necessidade de travar conhecimentos; sem a necessidade de serem travados! Sem camisas de forças!
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